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Cultivar a paciência na vida que temos é possível?


Neste mundo acelerado vamos nos tornando “escravos da urgência”. O imediatismo, a cobrança por resultados, a velocidade para processarmos tudo rapidamente e atendermos as exigências nos diversos papéis que desempenhamos é o que chamo de “vida loca”.

Se não respondemos a mensagem prontamente somos questionados, precisamos estar disponíveis 24h, trabalhando em casa o horário estendido passa a ser “normal”, qual a fronteira e o limite disso tudo? A necessidade de estarmos todo o tempo “conectados” em diversos dispositivos é sinal de estarmos vivos?

O fato é que nesta dinâmica acelerada comprometemos a nossa saúde, em todas as dimensões: física, mental, emocional, relacional, espiritual.

Fazendo uma busca do significado da palavra paciência podemos encontrar:

· A palavra paciência vem do latim patientia, derivada do verbo patior, que quer dizer sofrer.[2] O contrário de paciência, então, não é a pressa, mas a rudeza, o desespero, a irritação, a impaciência.

· No sentido estóico, segundo o filósofo grego Zenão de Cítio século III a.C., essa palavra ( Υπομονή) em si resume todo o conhecimento de se adquirir a verdadeira paz da alma para a busca da felicidade e sabedoria.

· Faculdade de não desistir facilmente de; perseverança, constância

· Característica de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo

· A paciência nada mais é do que a verdadeira arte de sentir e saber suportar as dores impostas pela vida, saber lidar com pessoas, a crise, a melancolia e depressão, a paciência é uma atitude poderosa capaz de vencer todas as dores da vida humana.

E o que tudo isso tem a ver com Mindfulness???

Respondendo rapidamente: tudo...

Ao cultivarmos a consciência plena podemos estar na vida com mais significado, vivendo com plenitude cada momento, temos clareza da importância de compreendermos os processos e estados mentais e a forma como respondemos ao que nos acontece treinando através das práticas formais e nas nossas atividades diárias, durante o percurso que é viver.

Durante a nossa prática de meditação mindfulness vamos nos deparar com desconfortos no corpo e a divagação da mente indo para o passado e futuro, julgando e catastrofizando muitas vezes, notamos a inquietação, ansiedade, medo, tédio, enfim, vários desafios estarão se revelando tornando-se “realidade” do momento. A tendência é ficarmos impacientes, lutando ou fugindo abandonando a prática. E o que resistimos persiste, já sabemos disso.

O convite de mindfulness é intencionalmente abrirmos espaço para ficarmos com o que está presente, mesmo quando não está agradável. Observamos com atitudes diferenciadas, com curiosidade, abertura e confiança que tudo acontece no seu próprio tempo. Vamos compreendendo a natureza da mente, que pensamentos são eventos mentais que irão acontecer independente do nosso controle e que não é preciso nos envolvermos sofrendo com este processo. Ao praticarmos a paciência, estamos cultivando esta qualidade deixando expectativas de controlarmos os resultados de tudo, que não precisamos empreender esforços para anteciparmos situações; esperamos.

A impaciência nos tira do momento presente, ela nos põe onde ainda não chegamos, nos transportando para um futuro que talvez nunca aconteça, gerando preocupações, ansiedade e insatisfação.

Vivendo o momento presente, compreendemos que é possível apreciarmos a paisagem, as pessoas que estão conosco nesta viagem da vida. Que este é o único lugar que precisamos estar, é o único lugar onde realmente podemos fazer algo de concreto.

A regularidade da prática é a grande oportunidade de treinarmos a paciência, um processo gentil e amoroso de longo prazo.

Sabemos que é necessário disciplina e um certo esforço para colocarmos este momento de prática em nossas agendas tão atribuladas e frenéticas e está em nossas mãos esta escolha de iniciarmos agora e não na espera de condições ideais de tempo, lugar perfeito, de uma condição que talvez nunca aconteça.

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